Intro   

 
Bom, aqui vou postar algumas coisas que achei interessante e que talvez sejam de grande valor para todos.
 

Dicas de Desenho Arquitetônico

 
Essa é uma matéria muito importante no curso, ela vai te ensinar o básico sobre o que você fará por toda a sua vida, independente da área em que você se especialize. Geralmente as primeiras atividades envolvem colocar em escala e com a representação correta um projetinho beeeem básico dado pelo professor (pegadinha, já que você fará coisas bem mais complexas).
Algo mais ou menos assim:
 
            

 
Talvez nem esteja em escala ou com tantos detalhes (acredite pode ser mais “seco” que isso). A partir daí você vai ter que aprender a usar cada um daqueles materiais da enooorme lista que o professor indicou no primeiro dia de aula.
 
1º - Lapiseiras: Te mandaram comprar uma incrível variedade de lapiseiras (que até ontem você chamava de grafite) cada uma com um tipo de ponta, e na hora de desenhar você faz uni-duni-tê pra saber qual usar. Entenda o seguinte, quanto maior a milimetragem da ponta (0,3; 0,5; 0,7; 0,9…) mais grossa e escura ela é. Óbvio? Não. Uma pessoa que escreve muito forte terá dificuldades em lidar com isso. Em um desenho técnico (qualquer um) é representado com a linha mais forte aquele elemento que está mais próximo ou que está sendo cortado, enquanto que as linhas vão ficando mais finas à medida que você desenha detalhes mais distantes. Isso facilita muito a visualização e é norma de desenho. Olha a imagem que coloquei acima, as paredes foram até pintadas para serem destacadas já que se trata de uma planta baixa.
 
2º Esquadros: O par de esquadros é muito importante e vai te acompanhar por muito tempo então cuide dele. Pra começar, saiba que são peças que ficam passando o tempo inteiro por cima do desenho, logo acumulam muito pó do grafite e se não forem limpos podem acabar sujando seu desenho. Independente do tipo de esquadro que você comprou (mas, principalmente quem comprou os de acrílico) nunca usem álcool para limpar. Ele queima e cria manchas brancas tirando a transparência que é essencial no esquadro. O melhor é a boa e velha água com sabão e um paninho seco depois. Também evitem usar eles para apoiar estilete, o estilete acaba tirando lascas do esquadro.
 
         
Para usar o esquadro você pode apoia-lo na régua paralela da mesa ou compor ângulos usando o par.
 
3º Escalímetro:  Esse é um de seus melhores amigos a partir de hoje então cuide bem dele. Não use para apoiar estilete nem saia riscando. Existem alguns tipos de escalímetro que apresentam diferentes numerações de escala. No início você vai usar o escalímetro n°1. Ele não é um material de desenho, é uma ferramenta de medição , portanto use-o para medir plantas e desenhos, ou para construir os seus desenhos. Basta escolher uma escala de trabalho e começar, não tem mistério, muito fácil de usar.
 
4º Compasso: Esse também não tem muito mistério e você tem a opção de comprar um realmente bom e preciso para as aulas de desenho técnico e geometria descritiva e ter na bolsa aqueles escolares da papelaria da esquina pra fazer trabalhos. Alguns vem com trava de ângulo. Se você assim como eu não sabe usar, não gaste esse dinheiro, só vai dificultar sua vida. CUIDADO quando for usa-lo no papel manteiga ou vegetal! A ponta cega (aquela de ferro que fura o dedo e fixa no papel) danifica muito esses papéis mais frágeis e basta uma distração pra você ter um belo furo no seu projeto (acabando com a prancha toda). Também olhe de vez em quando se ele está alinhado (a ponta do lápis e a ponta cega tem que ter o mesmo tamanho), o desenho sai mais correto. Se a ponta que tem grafite está muito arredondada use a boa e velha lixa de unha (cuidado se você for pedir a uma colega de sala, avise para que é antes que a menina surte). O compasso é sempre bom de ter por perto porque você pode usa-lo para fazer formas geométricas perfeitas caso tenha esquecido o par de esquadros em casa.
 
             
 
Outras dicas: Para as aulas de desenho técnico leve sempre fita crepe. Usamos ela para fixar a folha de papel na prancheta e ela é boa porque tem pouca cola e sai fácil. Usar outras fitas adesivas mais fortes te faz correr o rico de rasgar o papel na hora de tirar da mesa.
Cuidado com lanche em cima da mesa e com dedinhos sujos no papel, essas manchas estragam tudo.
Para fazer equipamentos de banheiro e outros detalhes você pode comprar réguas de gabarito. Elas são super úteis, mas não são obrigatórias. São assim:
 
    
 
Tenha uma borracha fina (daquelas de tubinho ou algo assim) para apagar detalhes. Esqueça aquelas borrachas enormes que você comprava para o colégio.
Leve sempre suas normas para as aulas, melhor fazer certo que ter que apagar tudo. Treine sua caligrafia para os textos e as cotas ficarem parecidos e alinhados. Se quiser facilitar na hora de dobrar a folha coloque seu carimbo do tamanho do A4 (olhe o tópico sobre como dobrar as folhas).
Faça o desenho com grafite leve e clara e depois escureça as partes que precisam para não sair manchando tudo.
Por fim, leve tudo sempre na pasta ou compre o tubo de projetos. Mantenha seus desenhos protegidos para não ter que refazê-los.

 

Planta Baixa



Figura 2
Figura 1 - Corte horizontal de uma casa (REZENDE; GRANSOTTO, 2007, p. 6).

    Esta planta é geralmente a primeira a ser elaborada, já que nela é onde ficam definidas as posições dos compartimentos, os espaços, dimensões, seus usos e ligações. Nas plantas baixas, além de indicar o projeto de interiores (layout), é também onde são indicadas os projetos de instalação elétrica e hidráulica.
 
    A representação da planta baixa e feita a partir de tudo que é visto a baixo de um corte a 1,50 do chão, podendo incluir portas, janelas, móveis, pisos e outros. O que houver de importante e que não aparece a baixo do corte de 1,50 pode ser representado a partir de uma linha tracejada.
 
    São diversos os tipos de linha que podem fazer parte de um projeto, de acordo com a NBR, podendo variar de linhas cheias a tracejada, traço ponto, traço dois pontos e outras, que explicarei mais profundamente em outro post.




Figura 1
Figura 2 - Processo de geração de uma planta (SCALCO, 2004, p. 1)
 
 
 
    O conteúdo da planta baixa é muito mais extenso e completo que o das outras citadas anteriormente, já que esta tem uma função mais significativa que as outras, assim necessita de mais representações que as outras, para que todos que a leiam possam entende-la. 
 
Dessa forma, uma planta baixa deve conter a representação de:
 
- Paredes (deve ter representação de destaque, para a fácil identificação dos espaços)
- Pilares
- Aberturas (Portas e Janelas)
- Circulação
 
 
E quanto as informações, estas não podem faltar:
______________________________________________________________________________________
 
 
Escala: Normalmente 1/100, mas pode variar dependendo da dimensão do terreno;
 
- Nomes dos ambientes e suas áreas;
 
- Representação dos pisos nas áreas molhadas (Banheiros, Cozinhas e Áreas de serviços);
 
- Equipamentos fixos (bacias sanitárias, pias, chuveiros, balcões e etc), o mobiliário não deve ser colocado no desenho arquitetônico, apenas na planta de Layout;
 
- Medidas das aberturas dos vãos (portas, janelas e etc);
 
- Projeção do telhado (se houver);
 
- Nomear as projeções (Ex.: Projeção do Telhado);

- Caso você perceba que a planta está ficando com muitas informações e deseje deixa-la mais limpa, opte por nomear as portas e janelas por P1, P2... e J1, J2... respectivamente, e, ao lado da planta baixa, faça uma tabela com os nomes e as suas devidas medidas;
 
- Cota de nível dos pisos;
 
- Marcação dos Cortes;
 
- Orientação (Norte magnético ou verdadeiro);
 
- Indicação de subida ou descida na escada e numeração dos degraus;
 
- Acessos;
 
- Cotas horizontais de cada pequeno detalhe necessário do projeto e suas cotas gerais;

- Marcação do terreno, muro, plantas e objetos que estejam no terreno (Necessário apenas em plantas do térreo);

    Seguindo essas regras básicas, com dedicação e mais algumas prováveis exigências que seu professor poderá ter, com certeza vocês terão uma planta muito bem representada!

 

Cortes

Figura 3
Figura 1 - Corte vertical de uma casa (REZENDE; GRANSOTTO, 2007, p. 8)
 
 
     É chamado de "corte" a secção vertical feita no projeto. Não entendeu? Então vamos lá.
Imagine que você projetou uma casa, como na imagem a cima. Agora imagine uma folha de papel cortando essa casa de cima para baixo, exatamente como está no desenho. Agora tente imaginar que você está olhando para um desses lados cortados. Conseguiu? Esse é o corte!
 
 

Corte Transversal
 
 
     O corte é o desenho dessa secção feita no projeto, mas não é feito aleatoriamente. A marcação de onde deve ser feita a secção é previamente feita na planta baixa, para que possamos escolher o lugar mais conveniente a ser mostrado, para que terceiros possam entender como funciona o projeto. Na secção que é marcada na planta baixa, também é indicado com uma seta para a mostrar a posição e o sentido da visualização, já que, quando fazemos a marcação do corte do projeto, temos duas opções de desenho.
 
 
   
     Em um projeto a quantidade de cortes são feitos de acordo com a necessidade de mostrar o que está sendo representado. Geralmente são feitos, no mínimo, dois cortes, sendo um transversal (corte na menor dimensão da edificação) e um longitudinal (corte na maior dimensão da edificação).   
 
 
 
Plano que gera o Corte Transversal

Plano que gera o Corte Longitudinal
                                            
 
     As secções feitas pelos arquitetos geralmente são linhas retas, mas, dependendo do sei projeto, pode ser necessário mostrar mais de um elemento no mesmo corte, sendo assim, pode ser feita uma secção segmentada, fazendo desvios (que também devem ser marcados na planta baixa). 
 
 
 
 
 
 
E quanto as informações, estas não podem faltar:
______________________________________________________________________________________
 
 
- Escala: A mesma que foi feita a planta baixa;

- Deve haver no mínimo dois tipos de corte, o transversal (é secção no menor sentido da construção) e a longitudinal (é a secção no maior sentido da construção);

- Os cortes devem preferencialmente passar por pelo menos uma escada e uma área molhada;

- No corte NÃO se deve indicar o norte magnético;

- As paredes que foram cortadas deve ter uma linha mais escura que as paredes que estão sendo vistas;

- Quando mais distante do corte, mais fino deverá ser o traço;

- As vigas e a fundação que aparecerem no corte devem ser representadas;

- As paredes cortadas devem ter o seu material representado por sua hachura específica (Ex.: Concreto armado);

- As paredes das áreas molhadas (banheiros, cozinhas e áreas de serviço) devem ter a azulejo representado;

- Todas as cotas que definem alturas: pé direito, piso, embasamento, forros, peitoril, portas, passagens, esquadrias. No corte não deve ter cotas horizontais, apenas verticais;

- Devem ser desenhados os equipamentos fixos (Ex.:balcões, mesas, pias, lavatórios, chuveiro, bacia
sanitária) O mobiliário que não for fixo não deve ser colocado no desenho arquitetônico;

- Nome dos ambientes onde passa o corte;

- Cotas de Nível;

- Indicar a inclinação da cobertura;

- Observações (Caso o corte passe por algum móvel, você deve identificá-lo, o mesmo serve para a estrutura);

- Hachura de terra e de aterro;

- Nomear os cortes e colocar a escala (Ex.: Corte AA Esc.: 1/100);

- Carimbo;


   E o resultado ficaria mais ou menos como na figura a baixo. Mas, analisando-a com cuidado, você consegue identificar o que está faltando?

Figura 2- Corte vertical de uma casa (https://bit.ly/1g9Y3Ga)

 

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